Linguagem: experimentar para expressar

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Linguagem: experimentar para expressar

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Dia 9 de dezembro é DIA DO FONOAUDIÓLOGO!
Sou Adriana Fernandes, tenho 12 anos de experiência clínica e uma caminhada linda na Fonoaudiologia. Hoje, em homenagem ao dia da carreira que escolhi, trago um texto sobre o meu olhar para o desenvolvimento da linguagem nesse espaço maravilhoso que é o CORA!! Confiram aí:

LINGUAGEM: EXPERIMENTAR PARA EXPRESSAR
Uma orientação que faço aos pais dos meus pacientes em fase de aquisição de LINGUAGEM: percebo que na maioria das vezes usamos (quase instintivamente) PERGUNTAS como: “O que é isso?”, “Que cor é essa?”, “Que bicho é esse?”, entre outras, na interação com uma criança. O que se espera é a resposta certa: o NOME do objeto, cor, animal, entre outros itens mostrados. Quando a resposta correta é produzida, uma alegria contagia o ambiente. Porém, se a expectativa não é atendida, o que fica é frustração para ambos. Quem perguntou fica decepcionado em não ter retorno a sua iniciativa e quem foi questionado pode ter ficado também por não ter sido capaz de responder. EMOCIONALMENTE não é uma boa opção de abordagem.
Para que uma criança seja capaz de responder a essa expectativa dos adultos de dizer os nomes do que lhe é perguntado, ela deve ter fixado o CONCEITO do mesmo. A criança tem que aprender aquilo, ter contato com o nome associado à imagem, ter oportunidade de explorar, receber AFIRMATIVAS sobre objetos, cores, animais, entre outros tantos conceitos. Por exemplo, para que uma criança aprenda cores é preciso que ela veja a cor em diferentes objetos para que forme em seu cérebro o conceito dessa cor e o domine a ponto de conseguir expressar o nome dela ao ser questionada.
Eles ainda estão adquirindo linguagem. A FALA é a última fase, é a expressão verbal. É preciso que a criança desenvolva outros sinais de comunicação, tais como: olhar, gestos, entonação, expressão facial, entre outros não verbais antes. E, paralelamente, desperte para a compreensão do contexto no qual está inserida. Assim como os interlocutores, como pais e terapeutas, devem controlar a ansiedade para conhecer e incentivar cada desafio na medida para a criança. Gerando confiança mútua e autoestima.

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Outro aspecto da comunicação é a MOTIVAÇÃO para interação. Para que (com que propósito/intenção) a criança irá responder a tais perguntas? Quando a criança tem o desenvolvimento típico, entende e responde adequadamente à demanda SOCIAL da fala. Ela sabe que deve responder ao que é perguntado por outro, seja para agradá-lo, para receber elogio, entre outras razões. Assim como pode usar a não resposta para contrariar o outro, desafiar, etc. Essa habilidade vem do ENGAJAMENTO, que é a percepção das ações e reações do outro a ponto de influenciar suas próprias. Motivado a estar com o outro, a criança se interessa em imitar, agir para obter reação do outro e responder a ele.

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Sugiro que o investimento inicial nessa interação com as crianças seja em apresentarmos objetos, cores, animais…o mundo, de diferentes e variadas maneiras para que ela aprenda esses conceitos e saiba usá-los de forma ESPONTÂNEA e CRIATIVA. Da mesma forma, devemos nos colocar sempre INTERESSANTES no contato com ela, incentivando sua habilidade social. Esse caminho pode ser facilitado pelos sentidos (os cinco mais conhecidos: visão, olfato, audição, tato e paladar) e ainda os sistemas vestibular e proprioceptivo. Quando experimentamos o mundo através de mais de uma entrada sensorial, a aprendizagem é facilitada: ver, tocar, ouvir, provar…sentir!
Contem comigo!

Sobre a autora:

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Adriana Fernandes, Fonoaudióloga pela UFRJ com 12 anos de atendimento clínico no Rio de Janeiro. Palestrante sobre desenvolvimento infantil e afeto. Especialista em Inclusão Escolar e Transtorno do Espectro Autista pela PUC-Rio. Certificação Internacional em Integração Sensorial pela Clínica Ludens/University of Southern California. Terapeuta DIR/Floortime. Fundadora do Projeto AFETOTERAPIA – www.facebook.com/afetoterapia e organizadora do CONPSAU – Circuito Online de Palestras Sobre o Autismo.

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